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29
jan
09

O “Jogo” da Imprensa e Você

Uma explicação rápida de como uma notícia, mesmo sobre economia, vira "Fast Food", de fácil entendimento popular.

jogo-da-imprensa

Roger Caillois (1967) define o jogo como uma atividade livre, delimitada, incerta quanto ao seu desfecho, improdutiva, regulamentada e fictícia. Classifica os jogos em quatro categorias, sendo que a que nos interessa aqui é o “Agon”, definida por ele como “ um grupo de jogos que aparece sob a forma de competição”, ou seja, como um combate em que a igualdade de oportunidades é criada artificialmente para que os adversários se defrontem em condições ideais, suscetíveis de dar valor preciso e incontestável ao triunfo do vencedor.

Jogos de “Agon” são jogos de competição, jogos de codificação dual onde sempre há um vencedor e um perdedor, onde sempre há tensão. São jogos que atraem exatamente pela tensão que geram, e pela distensão, que também geram, ao seu final quando surge o vencedor.

Huizinga (1938) acredita que o jogo cria ordem, “introduz na confusão da vida e na imperfeição do mundo uma perfeição temporária e limitada”. Pode-se dizer que o jogo, ao limitar o universo onde atuamos, diminui a improbabilidade de nossa comunicação, o jogo aumenta nosso controle simulando determinismos.

Cyrulnik (1997) nos conta que numa simulação de queda de avião, se se diz às pessoas que nada pode ser feito, a angústia aumenta rapidamente. Por outro lado, “basta indicar uma conduta a ter, mesmo que seja inútil, para as ver tranqüilizarem-se”. Este mesmo autor alerta para a armadilha do pensamento dualista pois, apesar de muito prático quando propõe categorias claras e condutas simples, tais categorias não dão conta da complexidade da realidade.

Huizinga, Caillois e Cyrulnik juntos nos dão uma boa pista do motivo pelo qual as empresas de comunicação têm tanta capacidade de atrair a atenção das pessoas através de seu jornalismo econômico. Tais empresas interpretam a realidade de forma dual, clara e simples. Colocam os fatos em termos de competição, seja, por exemplo, entre “os especuladores” e o Banco Central no caso do dólar, seja entre empresas “lutando” por sua sobrevivência contra a concorrência.

Antagonismos são realçados num jogo de competição que simula determinismos buscando nos fazer acreditar na simplicidade da situação e, ao acreditarmos, “encontramos a saída”. Ora, a inflação sobe pois o dólar subiu, o dólar subiu pois o Presidente do Banco Central não foi nomeado e o “mercado esperava ansioso”, mercado ansioso é igual a dólar alto. Tudo muito direto, muito claro. A pobreza diminuiu e o consumo aumentou por causa do Bolsa-Familia…

Ora, as grandes empresas de comunicação já se deram conta da força de atração que situações caracterizadas como jogos de “Agon” causam, exatamente pela clareza das categorias representadas, pela simplicidade com que se pode entender e julgar uma determinada situação, dada a dualidade da mesma e pela tensão gerada. Harry Pross (1999) alerta para o fato de o ser humano já não poder viver sem tensões, alerta para “esse ‘espírito esportivo’ que penetra todas as esferas da vida e cria a ‘indústria da tensão’”.

Nesse sentido o jornalismo econômico, ao mesmo tempo em que coloca o problema, coloca a solução, traz a tensão e a distensão. Trata dos assuntos da economia de forma a deixar claro quem está contra quem e qual a conseqüência disso, quem ganhará e quem perderá caso tal desenlace ocorra. A realidade fica reduzida a micromundos onde causa e efeito são claros e simples, mundos onde, por um lado, o entendimento é quase instantâneo e toma-se partido facilmente dada a obviedade da situação, e por outro, pouco se pode fazer; pode-se apenas aguardar o desfecho, torcer para que vença aquele que deve vencer. Tanto maior é a torcida quanto maior for a crença de que com o vencedor virá a melhorar a vida de quem torce por ele.

Fonte: Mural MTV (link morto)

02
jan
09

Observatório da Imprensa debate sobre a ignorancia do brasileiro sobre a ditadura e o AI-5

No ultimo programa de 2008, o programa Observatório da Imprensa (TV Cultura – SP, TVE – Rio) abordou o desconhecimento do brasileiro sobre a ditadura militar e o próprio AI-5, o decreto de lei que cercou a liberdade de expressão na época mais cruel da ditadura.

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Veja aqui mais detalhes do programa.

  • Ouça aqui os momentos históricos da implantação do AI-5 no site especial do Estadão, com a análise dos repórteres Danilo Angelim e Carlos Marchi.
  • Leia neste post uma lista de links para reportagens e entrevistas sobre o AI-5.



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