Archive for the 'Contos e Textos' Category

22
fev
09

Mentiras – Peter Strauss

sete_erros

Foto: “Jogo dos Sete Erros”, por mairabc

Ah, a mentira. Eu adoro a mentira, viveria com ela toda a eternidade. Eu conheço muitos adoradores da verdade e são uns bobocas esses sujeitos. Com pompa anunciam suas verdades, ora seus tolos, suas verdades são mentiras também, será que não vêem? As boas mentiras tem que se disfarçar de verdades, senão são apenas as mentiras medíocres do dia a dia. Não, nós queremos mentiras de verdade! Bem contadas, confeitadas com fantasia e pompa, recheadas de histórias cabeludas que deixarão as vizinhas carecas de curiosidade. Que maldade…

A ilusão da percepção passa despercebida, parece real, tudo parece tão real e verdadeiro. Mas sabemos que são sinais elétricos que o cérebro processou para nós. Ou seria isso uma mentira também? Como saber? Não precisamos saber realmente.

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21
fev
09

Desobediência: a Virtude Original do Homem – Oscar Wilde

do-it-yourself

Pode-se ate admitir que os pobres tenham virtudes, mas elas devem ser lamentadas. Muitas vezes ouvimos que os pobres sao gratos a caridade. Alguns o são, sem duvida, mas os melhores entre eles jamais o serao.

Sao ingratos, descontentes, desobedientes e rebeldes – e tem razao. Consideram que a caridade é uma forma inadequada e ridicula de restituicao parcial, uma esmola, geralmente acompanhada de uma tentativa impertinente, por parte do doador, de tiranizar a vida de quem a recebe.

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21
fev
09

Imaginação, por Millôr Fernandes

millor

Aqui sozinho, toda a história da humanidade e da vida rolam diante de mim.

Respiro o ar inaugural do mundo, o perfume das rosas do Éden ainda cheias de originalidade. A primeira mulher colhe o primeiro botão;

Vejo as pirâmides sendo erguidas, o rosto da esfinge pela primeira vez iluminado pela lua cheia que sobe no oriente;

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06
fev
09

Livro: Xadrez, Truco e Outras Guerras (José Roberto Torero)

exercito

Creditos da imagem: site anti-“exército obrigatorio” que não me lembro… mas com certeza não foi deste jornalista confuso.

Com humor corrosivo, José Roberto Torero reescreve a história da Guerra do Paraguai como um capricho de poderosos entediados e diz que só o soldado raso possui sentimento genuíno…

Titulo original: "A ira dos ordinários"

A vida pode ser uma história contada por um idiota, como quer Shakespeare, mas é melhor que seja um idiota alegre do que um idiota triste. O primeiro não filosofa, apenas ri, mostrando os dentes. Torero tem mais simpatia por ele, o otimista, o idiota alegre incapaz de perceber que a vida é apenas "um susto entre o nascer e o morrer", como defende o escritor, autor do livro "Xadrez, Truco e Outras Guerras" (Editora Objetiva, 184 páginas).

O que distancia Shakespeare de Torero não é, portanto, uma visão pessimista da humanidade, mas o humor corrosivo. Quem mais seria capaz, hoje, no Brasil, de descrever a Guerra do Paraguai como um capricho de entediados poderosos? Torero, que já dedicou seu primeiro livro, "O Chalaça", a uma quase obscura figura da história brasileira, o conselheiro do imperador dom Pedro I, e o segundo, "Terra Papagalli", ao degredado Cosme Fernandes, seminarista que construiu um porto de escravos em São Vicente.

Como se vê, Torero é o professor de história que nenhuma escola conservadora gostaria de ter. Depois de identificar o chalaça do imperador como o verdadeiro responsável pelo grito da Independência (além de aliciador de prostitutas para a corte) e insinuar que o Brasil foi construído por seminaristas traficantes de negros, Torero volta a provocar com a sua nada exemplar história do soldado. Ou melhor, de soldados. Torero não poupa nenhuma patente para demonstrar sua tese: quanto mais ordinária a condição do soldado, maior a sua ira.

Projeto da Editora Objetiva, que encomendou livros sobre os outros seis pecados capitais a renomados escritores (Ariel Dorfman, entre eles), "Xadrez, Truco e Outras Guerras", como os livros anteriores de Torero, não pretende ser um exemplo de exatidão histórica. Para o escritor, a história só existe mesmo para ser reinventada. Torero não é antiquário para recuperar o passado envernizando móveis devorados por cupins. Antes, ele usa o passado para entender o presente. E "Xadrez, Truco e Outras Guerras" é uma bela parábola sobre como o Brasil trata seus parceiros abaixo do Equador.

"Inicialmente, pensei em escrever um livro sobre Caxias, porque sempre achei estranho esse culto ao soldado, mas ele não se encaixava nessa história de ira, por ser apenas um estrategista", justifica Torero. O escritor estava empenhado em demonstrar sua tese: quanto maior a patente, mais longe está da guerra e, portanto, menor a sua ira. O coronel vai à luta por vaidade, o capitão para trocar de patente e o soldado, por necessidade de sobrevivência. No fim, o rei, após derrotar um pequeno e insignificante país vizinho, prepara-se para invadir outro minúsculo porto de bananas. Ao soldado, que perdeu a perna, só lhe resta a ira.

"É um sentimento genuíno e cotidiano, que tanto atinge o deus do Velho Testamento como os que acompanham as pesquisas de intenção de voto para governador no segundo turno", diz, justificando a escolha desse pecado capital como tema de seu livro. Torero transfere para o leitor a ira do soldado diante da indiferença do mundo e de seus superiores. Ira não é, também, um sentimento estranho a Torero. Aceitou, por exemplo, a encomenda de uma conhecida produtora para escrever o roteiro de um filme e não foi pago até hoje. "Isso me deixou irado", diz.

Entrevista de Antônio Gonçalves Filho, Fonte: AN

“…” significa que a entrevista continua, mas como o texto está desatualizado, preferi tirar esta parte.

O livro é muito bom, J.R.Toreto tem um ótimo senso de humor. Além deste “Xadrez Truco e Outras Guerras”, eu li tambem “Vermes: Uma Comédia Politica” e “O Chalaça” – são 2 livros impagáveis de tão engraçados e irônicos.

27
out
08

“Subversão” (ou luta pela liberdade?)

Uma palavra comum na Imprensa marrom na época da ditadura era Subversão.

“Pensar alto” e dizer palavras como Viva a revolução!!, Che Guevara e Fidel são meus idolos!!, ou qualquer coisa que fizesse referência a socialismo, podia te render um bom problema com a chamada “justiça” da época. Isso porque, como no “Big Brother”, haviam muitas câmeras espalhadas nas escolas, igrejas, associações de bairro, bares, etc.

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13
out
08

Midias de massa e a crise da cidadania

Conceitos:

Cidadania = Exercer os direitos políticos e civis numa democracia.
Mídia de Massa = TV, Rádio, Jornais e Revistas de banca
TV = Aparelho eletrodoméstico de transmissão de imagens e sons mais popular no Brasil, principalmente nas capitais.
“Novas” Mídias = Internet, mais especificamente Blogs, Foruns, e-Zines, correio eletrônico, etc.

Introdução

O autor deste estudo foi bem cuidadoso ao apontar o “será?” em seu raciocínio, mas eu, particularmente, não tenho interessse em ser imparcial nesta introdução.

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13
out
08

A TV e vozes na sua cabeça

Título original: As imagens subjuntivas
Autor: Augusto Boal

Faz pouco tempo, tive a sorte de assistir a uma conferência da psicanalista Maria Rita Kehl. Não só durante sua palestra mas, mesmo agora, continuo estimulado por sua ciência e consciência, que me fizeram pensar e escrever este texto.

Maria Rita conversou sobre a tese de Guy Debord de que a nossa sociedade, depois da invenção da TV, teria se transformado na sociedade do espetáculo. Acrescentou, afirmativa: tornou-se o espetáculo da mercadoria, que é o que mais se vê na tela.

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