22
fev
09

Mentiras – Peter Strauss

sete_erros

Foto: “Jogo dos Sete Erros”, por mairabc

Ah, a mentira. Eu adoro a mentira, viveria com ela toda a eternidade. Eu conheço muitos adoradores da verdade e são uns bobocas esses sujeitos. Com pompa anunciam suas verdades, ora seus tolos, suas verdades são mentiras também, será que não vêem? As boas mentiras tem que se disfarçar de verdades, senão são apenas as mentiras medíocres do dia a dia. Não, nós queremos mentiras de verdade! Bem contadas, confeitadas com fantasia e pompa, recheadas de histórias cabeludas que deixarão as vizinhas carecas de curiosidade. Que maldade…

A ilusão da percepção passa despercebida, parece real, tudo parece tão real e verdadeiro. Mas sabemos que são sinais elétricos que o cérebro processou para nós. Ou seria isso uma mentira também? Como saber? Não precisamos saber realmente.

Há pessoas que vivem todas suas vidas em suas verdades. São como trajes de gala que usam diariamente e, dos quais, se orgulham. Tem um grande senso de solidariedade e querem que suas verdades sejam de conhecimento geral, querem ajudar-nos. Nós, os iludidos, os românticos, os poetas e os vagabundos. Precisamos deles para nos indicar o caminho, o bom senso. Como é bom existirem esses dignos homens e mulheres, sempre dispostos a mostrar o caminho correto, aquele que irá levar ao… bem, nem eles sabem, mas deve ser um bom lugar.

A verdade é um troféu. A mentira também. Na verdade, a mentira é o troféu que mais ostentamos, criamos nossa realidade da maneira que mais nos agrade e, então, mostramos para os vizinhos e colegas. Alguns percebem nossa ingenuidade e nos diminuem. Outros percebem e compreendem e nos deixam em paz.

E porque não compreender? O quê é tão difícil em compreender? Será que não vimos o suficiente para percebermos que o barco é o mesmo para todos, que todos sonham, todos gostam de ilusão e todos devem ser respeitados em suas ilusões? Porque de vez em quando, uma mentira dá certo e nos ajuda a seguir em frente. Mais vezes uma verdade mata alguém. A linha que divide ambas talvez não exista e se existe, pouco sabemos sobre essas coisas.

Portanto, para mim, faz sentido viver a vida curtindo os devaneios da mente criativa, brincando de mundos que não existem, e deixando que os outros vivam o que quiserem. A compreensão é importante, mas poucos entendem isso. Será que eu entendo o que acabei de dizer?

Fonte: Dissonancia, texto de Peter Strauss


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