13
out
08

Midias de massa e a crise da cidadania

Conceitos:

Cidadania = Exercer os direitos políticos e civis numa democracia.
Mídia de Massa = TV, Rádio, Jornais e Revistas de banca
TV = Aparelho eletrodoméstico de transmissão de imagens e sons mais popular no Brasil, principalmente nas capitais.
“Novas” Mídias = Internet, mais especificamente Blogs, Foruns, e-Zines, correio eletrônico, etc.

Introdução

O autor deste estudo foi bem cuidadoso ao apontar o “será?” em seu raciocínio, mas eu, particularmente, não tenho interessse em ser imparcial nesta introdução.

Primeiro veio o Cinema, depois o Rádio, mídias que tanto Mussolini quanto Hittler usaram a seu favor. O primeiro (ou um dos primeiros) uso do cinema como meio de indução foi usado por Hitler, com as famosas comparações em película de judeus, negros e mestiços com pragras de ratos invadindo as ruas de Berlim, justificando a “purificação” nazista aos milhões de soldados e ao povo alemão. Os países Aliados, na mesma linha de manipulação, apelaram ao “sentimento patriótico” da nação, principalmente através do Rádio. Enquanto milhões morriam no front defendendo a pátria, a indústria dos EUA continuava lucrando ao fornecer equipamentos aos países inimigos de Guerra. E isso continua acontecendo, tanto que a “indústria de armas” é a mais lucrativa do mercado mundial, mas ao invés de propaganda na TV, a sua propaganda está nas guerras democráticas dos EUA mundo afora.

Mas no contraponto das CNNs e TV Globos existem as rádios comunitárias, chamadas pelas rádios comerciais e órgãos de fiscalização do governo de “Piratas” – aqui sim uma inversão de papéis, pois estas rádios comerciais impõe uma cultura pirata, globalizada. As rádios comunitárias são uns dos poucos meios de expressão regional autênticos que sobraram. Já li artigos chamando o fechamento de rádios comunitárias pela Polícia de “Sequestro Oficial da Fala”. É exatamento isso que acontece.

Com a popularidade da TV essa voz “comunitária” (e o interesse coletivo), principalmente em grandes capitais se dissolve na massificação de comportamentos, modismos, marcas,… No começo da explosão televisiva no Brasil, em cidades do interior com grandes numeros de TVs, muitos filhos devem ter ficado com vergonha do modo “caipira” dos mais velhos falarem. Exatamente como o indio que bebe cachaça, usa tênis Nike e briga pela exploração de diamantes. Aculturação e perda de valores regionais.

Crise da Cidadania

A tarefa de relacionar a Cidadania com a questão da Mídia de Massa tem hoje, sem dúvidas, uma reflexão sobre a educação ou, mais genericamente, a Formação para a Cidadania. Tal reflexão resulta, antes de mais nada, da consciência de que a experiência e prática da cidadania, nas nossas democracias ocidentais, está hoje ferida por uma crise profunda. Esta crise manifesta-se em vários setores da nossa vida, penetrando nela a tal ponto que o levantamento de alguns exemplos, embora inevitável para a sua ilustração, possa parecer uma “teoria da conspiração”, de tão acostumados que estamos a ela. Como exemplo privilegiado desta crise, pode se mencionar a quebra dos vínculos sociais e familiares no anonimato das grandes metrópoles cosmopolitas. *(1) Assim ocorre o desinteresse por uma “vida pública”, o exclusivo investimento na vida privada, a que tal anonimato conduz.

O desaparecimento crescente da autoridade dos Estados e de qualquer tipo de vigilância diante da emergência de um mercado dominado por poderosas empresas multinacionais aumenta o risco da informação inadequada sobre serviços, produtos e preços. Os serviços e produtos são assim divulgados em megacampanhas publicitárias e, gerando uma comodidade perigosa aos consumidores, não dá espaço ao questionamento da real utilidade deles.

Abordar a questão da Mídia no contexto desta crise da cidadania é, antes de mais nada, perguntar de que modo pode a mídia intervir neste horizonte político e de comportamento. E esta pergunta é mais interessante se repararmos que é em larga escala que a mesma mídia – aos canais já “tradicionais” e, dentro destes, sobretudo a televisão – os principais responsáveis, ou pelo menos uns dos principais responsáveis, da situação atual.

O mundo político ocidental tal como o vivemos hoje, e a vivência da cidadania com que ele se articula, é um mundo configurado pela Mídia. E a consciência desta situação exige perguntar se os canais de mídia são apenas *meros canais de comunicação (meros instrumentos), ou se, ao contrário, a sua essência não é simplesmente instrumental, surgindo já como a execução de um fim e de um destino específicos, *manipulados.

Será a televisão, como já antes foi a rádio para muitos pensadores, o meio pelo qual se instala um poder total e invisível, instalando assim uma inevitável crise da cidadania, não abrindo espaços para o questionamento de quem está sentado no sofá de seu papel de mero espectador?

Ou será que os canais de mídia são apenas instrumentos, certamente perigosos, mas recuperáveis e úteis na construção de uma nova cidadania mais participativa, capaz de superar a crise que atualmente divulga? Ou será que é possível, através de medidas participativas de auto-censura e desenvolvimento, convencer as pessoas que fazem televisão de que participam de “um processo de educação de alcance gigantesco“?

O problema aqui apresentado intensifica-se ainda mais com o seu alargamento aos chamados novos canais de mídia (Internet, por exemplo). Se os canais “tradicionais”, as mídias de massa, poderiam facilmente ser acusados de mergulhar aqueles que os utilizam em excesso numa solidão apática, quase autista, cortando os laços que poderiam alimentar uma cidadania comunicativa e participativa, os “novos canais de mídia”, possibilitados sobretudo pelo progresso da informática e pela rápida expansão da internet, podem ser vistos como os instrumentos capazes de finalmente tornar possível tal cidadania, fomentando a comunicação e publicidade generalizadas e, consequentemente, uma constante proximidade virtual que dissolva a eficácia das distâncias reais ou de qualquer tipo de barreiras naturais.

NOTA: A internet já está mudando os canais de mídia tradicionais, é só notar como aumentaram nos programas de notícias, principalmente na rádio – como a CBN FM/AM – a participação de ouvintes que usam a internet para se fazer ouvir – no caso, ler, por email – tornando a notícia mais adequada á realidade regional e não “fantasiosa e agradável” como o noticiário televisivo muitas vezes transforma.

Assim, mais do que assinalar a responsabilidade dos canais de mídia”tradicionais” na presente situação política, é importante se questionar em que medida os “novos canais de mídia” encerram a possibilidade da ultrapassagem desta situação, fortificando uma nova democracia e uma nova cidadania. É esta pergunta em particular que define a reflexão que este texto se propõe.

Introdução: Claudio Pires
Texto de Alexandre Sá, da Universidade de Coimbra, Portugal
Fonte: Media, Mass Media, Novos Media e a Crise da Cidadania


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